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"Disseram-me: verás quando tiveres cinqüenta anos. Tenho cinqüenta anos: não vi nada". Erik Satie
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16.5.08
outono no Rio
arpoador ao anoitecer, cada dia mais lindo, cada dia um lugar
1:07 PM
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10.5.08
Gêmeos, mórbida semelhança
a incrível abóbora darumá
10:52 PM
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Auto-retrato
Ardida feito pimenta
10:37 PM
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7.5.08
Ronaldo agora e calo-me para sempre
Vou dizer só uma vez e rapidinho o que eu acho sobre o affair Ronaldinho, ta? Já cansou, mas eu quero e pronto.
Ele devia mandar todo mundo praquele lugar, já que durante anos foi perseguido pela imprensa do mundo todo, sem poder fazer nada em off, sem direito a privacidade, a vida pessoal, a nada. Ronaldo tá magro, Ronaldo tá gordo, joga muito, joga porra nenhuma. O mundo nunca respeitou esse cara. Pisou de gaiato no tapete vermelho do jet set internacional, crente que tava abafando, com todas as portas abertas pra ele, todas as(os) top models querendo dar pra ele, e ele lá, direto de Bento Ribeiro, babando: Caraca, olha a namorada que eu tenho, olha a mulher que eu como, olha o carrão que eu posso comprar!!! Fez merda na frente de todo mundo pra ser pego, pq foi acostumado a isso, a platéia pra tudo...
Uma cilada daquelas, pq os favores que ele recebeu foram dados em troca da alma dele, da vida, da grana que essa cambada de muquiranas ganham nas costas dele. Perdeu uma grande oportunidade de mandar todo mundo à merda e dizer que come, bebe e cheira o que bem quiser, ao lado de quem quiser, seja de que planeta for. Mas ele não é homem pra isso, e isso não é uma brincadeira sobre a sexualidade dele, ok?
mais perdido que cachorro que caiu do caminhão de mudança
9:07 PM
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3.5.08
As modas dos homens - 3
Das costeletas
Depois da febre do aparador caseiro de barbas, a farra das costeletas fininhas e desenhadérrimos, tipo cafetão de pimp movies acabou. Pagodeiros também tîveram lá uma contribuição no processo, junto dos rappers e de seres híbridos como o cantor Latino.
Tenho um amigo DJ que usa suíças à Dom Pedro I. Acho feio de correr. Mas nele, sei lá, fica pitoresco, exótico, estranho... hmmm, tá bem, fica feio. Mas eu adoro ele.
pobre d pedro I, sufocado entre as suíças e o colarinho...
Dos cordões de ouro e pulseiras
Pulseira fininha de ouro, correntinha ou escravinha junto com relógio é um must entre os adoradores das camisas de seda vermelha e de blasers abertos sem gravata e manga enrolada Roberto Carlos Style. Passo, totalmente :P
Cordão de ouro, acessório relativíssimo. No Brasil as pessoas têm essa coisa de usar cordão de ouro com objetos protetores pendurados, medalinha de santo, figas, crucifixos, funciona quase como um patuá. Cafonice? Nem. No samba é quase obrigatório. E pagodeiros, os que tocam e os que ouvem, adoram cordões beeem grossos, como os bicheiros e toda a contravenção. Sem comentários para as cordas de ouro tipo Dudu Nobre, que tira onda de suburbano sem nunca ter sido.
pra que tanta pose doutor? pra que tanto orgulho?
2:06 AM
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29.4.08
As modas dos homens - 2
Dos bigodes
Argh, mil vezes argh! Os mais modernos entre os mega-triple-modernos usam bigodes. Eles evoluíram do visual barba-roda-de-samba-do-Sobrenatural e ousam desafiar as raias do bom gosto usando o bigodão Magnum, aquela ode visual ao portuga do botequim. Me faz lembrar também as pornochanchadas e os leather boys de bigodão tipo Freddie Mercury. Aos bigodes nao abro excessão. Odeio todos, sou contra e pronto!
cruz credo!
socorro!
3:20 PM
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28.4.08
As modas dos homens - 1
Não estou falando de moda de roupa, da qual é quase impossível fugir, porque o que está disponível no mercado é o que os caras decidiram que todo mundo vai usar. Vc pode até desenhar sua propria roupa, coisa rara nos dias de hoje. Mas se quiser comprar jeans, vai comprar o corte da moda, na Renner ou na Diesel. Então vamos deixar isso pra lá. To aqui pensando nos cabelos, nas barbas, nos acessórios, naquilo que é possível escolher. Pensando nos seres do sexo oposto que observo atentamente, sempre, por esporte.
Das barbas e cavanhaques
Sou suspeita: odeio barba. Acho anti-higiênico. Acho que esconde o cara. Pra não ser totalmente radical, abro uma excessão para aquela do dom joaozinho príncipe, entendeu? Mas adoro uma carinha lisa, bem lisinha. Me gustan los efebos, os imberbes, os glabros.
As barbas por fazer só me servem se forem macias e tiverem passado da fase ralador. Nada mais antipático com uma mulher do que oferecer a ela um peeling mecânico a cada chamego.
Che Guevaras barbudos, cabeludos desgrenhados, camiseta furada e chinelo. Clochard foi moda, lembra, Gel? Visual comunista-movimento-estudantil. Na PUC, faculdade mais cara de todas, é o figurino mais comum. Pobre não anda largado, não gosta de visual de mendigo. Mas jovem rico, gosta. Na praia de Ipanema também predomina esse tipo favela-chique. Assim como em Santa Teresa, templo mór da hipongagem. Os barbudos são seres permanentes no mundo, sempre tem um deles next door.
Os cavanhaques saíram da moda, definitivamente. Acho que os pagodeiros acabaram com o gosto pelo visual latin lover que alguns rapazes cultivaram recentemente. Uma pena! Eu adoro um cavanhaquinho, se for rente, macio e cheiroso. E com uns fios dourados ou ruivos. Capricho puro...
As barbas de Quaker, aquelas sem bigode, são fortes candidatas a barbas mais feias do mundo. Elas enfeiam todos os homens, além de todos ficarem com cara de pirata bêbado de filme da Disney. Brincadeira visual de péssimo gosto.
los hermanos e suas barbas, filhos da PUC
a mais feia de todas!
5:36 PM
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23.4.08
Quem está de ronda é São Jorge/ Deixa São Jorge rondá
Um dia eu comprei uma imagem de São Jorge pra um cenário de um show. Quando passou o show, achei hiper fofo mantê-lo na minha sala, num lugarzinho junto a outros objetos queridos pra mim. Simpatizo com ele, mas não tenho fé religiosa nenhuma. Um dia olhei pra ele com carinho, mudei de lugar, botei em cima do piano e conversei de leve: as coisas estão assim, estão assado, tenho tantas coisas a realizar, tantos desejos, me ajuda!
Um dia acendi uma vela pra ele, no outro um incenso. Num outro eu acordei cheia de raiva e reclamei logo com ele, desabafando: Pô, São Jorge, qualé? To numa M federal, dá uma força aí. Assim não ta justo! To na mó ralação e nada?
Mania de músico. Nós nos achamos guerreiros, bradamos por justiça à nossa causa. Alguns de nós se identificam com figuras que morreram por uma verdade. E o samba? O samba se acha. O samba se sente perto do céu. Tem um clima religioso, essa proximidade dos batuques, dos terreiros, essa ascendência sobre o povo, o poder de levantar as massas. O samba é um tipo de deus. Eu sou cantora, eu amo samba. Humildemente canto samba. Aprendo todos os dias ávidamente. Estudo, escuto com muita atenção, há muitos anos. Respeito.
Semana de São Jorge. De repente, depois de um mormaço daqueles, cinco shows na semana, de samba, um aparecendo após o outro, um telefonema, um email: ta ocupada? Pode? Gravação de jingle, proposta esperada há muito tempo, casa legal, público honesto, som maneiro, músicos queridos felizes e por perto, perspectiva, trabalho. Estranhíssimamente tudo desenrolou de uma vez em uma semana, para acontecer exatamente na semana de São Jorge. Logo ele, com quem eu me queixei.
A imagem dele quebrou, aquela com a qual conversei. Espatifou, lixo. Êpa! Arrumei outra na casa da minha mãe: leva, pode levar. Trouxe. Acendi uma vela pra ele agora, agradecendo de coração. Rezei. Me emocionei, vestida com as roupas e as armas.
Oração a São Jorge
Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.
Ogunhê Ogum!
Essa imagem eu tenho na parede da minha casa, há muitos anos. Ganhei de um cara que nunca conheci, um fã. Mandou pelo correio pq meu signo é dragão. Fofo!
7:12 AM
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18.4.08
prisioneira da miséria que é ser artista no brasil
Estou enjaulada nesta condição de artista carioca. Estou prisioneira desta miséria que é ser (boa) artista no Brasil. Nasci no Rio de Janeiro, em Ipanema. Estudei aqui, trabalhei aqui, aprendi a viver e a ser alguém aqui, construí a minha carreira aqui. Sendo boa cantora, tendo personalidade artística e alguma cultura, tendo tido experiências múltiplas na música e na vida, tendo ralado e galgado degraus, tradicionais ou não, da carreira, do boteco ao Canecão, tendo me preparado pra exercer a minha profissão, tendo trabalhado ao lado de grandes e reconhecidos músicos deste país, tendo tido público, belas críticas, prêmios... Ainda assim não consigo viver de cantar na cidade onde nasci. Se eu quisesse ser mais artista que cantora, se eu quisesse mais o clima que a carreira, se eu tivesse gana de fama, talvez ainda pudesse esperar ganhar dinheiro. Desconfio que já ganhei o quinhão que cabe aos - quase todos - bons artistas profissionais brasileiros: prestígio. Sem fama e sem grana. Mas pra mim, prestígio é um chocolate recheado de coco.
Peço perdão ao rebanho d’O Segredo, mas cansei de repetir aos ventos e de visualizar minha agenda e minha platéia lotadas, muito público pagante sem desconto, minha conta bancária no azul, meus músicos com boas condições de trabalho, os discos tocando no radio e na TV, eu não precisando trabalhar com outra coisa pra pagar o aluguel, com tempo e cabeça pra me dedicar, pra estudar, podendo investir no meu trabalho e formação, pagando, com folga, todas as minhas contas com meu trabalho musical: bom, maduro, bem feito, com personalidade, cada vez melhor, ascendente. Projetei, mas acho que O Segredo não pega em músico brasileiro. Nos cariocas, certamente não pega. Se pega, dá prestígio. Grana não dá.
Depois de ter ganhado o Prêmio Tim ao lado dos meus colegas, de ter cantado no Ano do Brasil na França, de ter feito milhares de shows, pra milhões de pessoas, ao lado dos melhores músicos deste país, ainda acontece de eu não conseguir pagar minhas contas com música. Canto, sempre, sim. Fiz 24 shows nos últimos três meses. Oito por mês, dois por semana. Não é muito, mas não é pouco. Semana que vem tenho cinco shows, tenho certeza de que servirão para pagar os taxis que usarei para ir cantar. Aluguel? xiiii ... Nem pensar numa loucura dessas, menina! Onde já se viu pagar aluguel cantando? Não tem onde colocar músicos nesta cidade, as casas não querem música. Acabou. Não estou falando da Lapa, esse Baixo Gávea universal embalado a samba. Estou falando de todo o resto da cidade e de todos os outros músicos. Pela minha cabeça passa um pensamento de terror: Se no Rio é assim, imagina fora do Rio...
Onde está a rede que torna possível a atividade profissional do músico, ao lado da laia de técnicos de som, roadies, iluminadores? Estão todos parados? Como pode viver um artista sem desaguar sua arte? Pra poder criar mais, pra discutir, pra pensar, pra praticar, pra não parar de aprender. Experimentar: fazer fundamental pro artista. Como ter resultados sem praticar? Como? Como ser músico sem ter uma cena onde se inserir? A Lapa está cheia de sambistas acidentais por isso: porque há uma cena à qual pertencer.
Não quero reger o cordão dos ressentidos, não estou despeitada. Não considero a minha carreira um fracasso artístico, pelo contrário. Mas é um fracasso financeiro, enraizado na podridão deste país de ladrões. Como muitas outras carreiras, muitas carreiras de grandes talentos que conheço. Tenho ódio de sentir novamente este nó na garganta, essa infelicidade, essa sensação de incompetência, essa impotência. Tenho ódio da sensação de corda no pescoço, de beco-sem-saída. Tenho ódio de ver meus amigos-puta-músicos atrasando a mensalidade da escola dos filhos e tendo que ir negociar: “...é que eu sou músico...”. Meu cartão de crédito estourou, a moça ligou: “...a senhora é cantora, né? E não tem um emprego?...” Tenho ódio de escrever pra Europa pra sondar trabalho, pra morar em outra merda de cidade onde não quero morar, longe da minha casa, pra um dia na vida ter o prazer de viver do meu trabalho sem essa espada na cabeça. Não me superestimo, não quero uma limusine preta e 40 toalhas brancas. Quero trabalhar e ganhar por isso, como todo mundo. Tenho desprezo por quem pergunta: “Você só canta ou você também trabalha?” Tenho minha historia, meu roteiro, meu sucesso aqui. Quero ter um presente maravilhoso aqui. Quero poder ter um futuro brilhante, se for o caso. Quero respeito, mereço respeito, quero ser paga pelo meu trabalho. To prontinha pra trabalhar, tinindo, trincando. Quero ter onde trabalhar. Já joguei um monte de idéias no lixo por descrença. Já deixei de fazer milhares de coisas por falta total de recursos. Just like that. Foda-se, quem se importa? Eu me importo.
Mas eu não paro de trabalhar, não paro. Trabalho do jeito que for possível, sempre, porque antes de qualquer coisa eu sou cantora, esse é o meu trabalho. Esse é meu alimento e meu produto essencial: música. Tenho feito isso quase de graça e, se for necessário, continuarei fazendo. Mas sei que, neste mundo onde tudo se vende, eu deveria poder fazer música e ganhar um dinheiro justo sem ser a maior estrela do país. Eu e milhares de artistas brasileiros comuns, profissionais, que quase vivem do que fazem, quase pagam as contas, quase vão à falência, quase têm que largar tudo e ir trabalhar em outra coisa, todos os dias. Pra ter uma casa pra morar, uma família, uma vida.
Minha solidariedade aos colegas: que a jornada lhes seja prazerosa como a minha. E muito mais bem remunerada!
você só canta ou você também trabalha?
10:38 PM
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12.4.08
I believe I can fly
Qdo estacionei a bike no bicicletário em frente ao Coqueirão*, numa tarde azulzíssima de sábado, praia esvaziando, o sol esfriando, não pude deixar de reparar na pena grudada no cabo do freio. Uma peninha amarelinha e branca. Na hora eu me dei conta de que a peninha pertence aos canários cuja gaiola fica junto das bikes, no prédio onde moro.
Me deu uma pena (ops) danada, pq a peninha grudou na bike e quem está voando por eles sou eu, enquanto eles estão lá, dentro daquela micro gaiola... sinceramente, me deu vontade de chorar, porque eles nao sabem, literalmente, o que estão perdendo..
birds fly over the rainbow, why then, oh, why can't I?
7:58 PM
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3.4.08
(des)Encantada
Assisti ao filme Encantada, produção Disney. Por maldade da madrasta, a princesinha é empurrada pra fora do mundo do desenho animado, dos animais que falam e dos príncipes montados em cavalos brancos para o mundo real, em película, com atores e locações reais, onde, segundo a mesma madrasta, não há “viveram felizes para sempre”. A mocinha cai do desenho e sai num bueiro em plena Times Square. Anda por NY desavisadamente romântica, cantando e dançando no Central Park, arrebanhando a simpatia de todos, amiga dos animais, crédula e gente fina, deixando por onde passa um rastro irresistível de fofura. Na hora H, acaba se apaixonando por um homem do mundo real e acha o príncipe um megachato sem assunto, já que a única coisa que interessa a ele é o “viver feliz pra sempre”. Já o cara do mundo real se encanta com aquela mocinha que acha que a coisa mais importante da vida é um beijo de amor.
Acho que tem muita gente que busca esse “viveram felizes para sempre”, independentemente do potencial real de felicidade que uma relação apresenta. Para muitas pessoas, não todas, estar casada, ter alguém pra chamar de seu, ter uma casa montada, mesa posta, mesmo que a relação seja ruim, é tudo na vida. Essa opção não é privilégio feminino. Mulheres convivem habitualmente com sapos esperando que num belo dia eles virem príncipes. Enquanto isso, reclamam. Os homens também fazem muito isso, já que muitos casam com a aparência física das mulheres, que muda com o tempo. Outros casam porque está na hora de casar, de se adiantar. Não sei se estão errados ou certos e se, no fundo, o que importa é ter alguém ao seu lado e pronto. A idade chega, os encantos físicos se esvaem e a gente entra na fase “invisível”. Outros casam por afinidades e amor, por quererem estar ao lado daquela pessoa e viver a vida com ela. Uns conseguem.
Não concluo nada, não sei o que é certo, não sei nem se as relações são possíveis. Pode ser que eu esteja azeda, mas tenho quase certeza de que os formatos tradicionais de relacionamento enjaulam as pessoas, são antinaturais, encarcerantes e tediosos. Ou então eu sou uma romântica irrecuperável que não suporta as cores do mundo real, o dia-a-dia, a rotina, a passagem do tempo, a intimidade, a desglamurização do outro. Talvez eu só esteja zangada porque não existe essa de ser feliz pra sempre...
happily ever after
4:15 PM
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28.3.08
Meu mundo e nada mais
chateada, cansada, bodeada, sem energia. Vou escrevendo aqui, direto desta página de postagem do blogger, sem ensaio. Quando a gente é adolescente, a gente fala que escrever é bom pra desabafar.Sair escrevendo o que vem à cabeça. Desabafar na vida adulta virou uma coisa chata, cansada, virou o tedioso e longo desfiar de um rol de reclamações que se repetem ad nauseam. Parei de desabafar, pq além de não me aguentar mais falando as mesmas coisas ano após ano, repetindo aquele mantra malversado. Parei de desabafar pq tb nao tava a fim de ouvir o que o outro tinha a dizer, as sugestões, os palpites. E tb nao estava a fim da intimidade que as confidências provocam. Falou, fudeu. A gente vira refém das palavras (mal)ditas. E eu mudo de idéia frequentemente demais, o tempo todo. O que garante o meu sossego é a tal cerimônia imposta pela falta de intimidade. Agora nem to tão assim. to aprendendo a ouvir. Daqui a umas tres encarnaçoes a gente conversa...
Lembro de uma mulher chique que entrevistei que disse que o segredo dos seus 40 anos de casamento era a cerimônia que mantinha para se relacionar com o marido. Achei aquilo chiquíssimo e absolutamente impossível no nosso barraco. Somos pobres e pobres são intensos, amam, xingam, falam alto, bebem, brincam, fazem as pazes na cama, choram na rua, jogam chope no outro, quebram tudo, cantam em voz alta. Vivem e não têm a vergonha de serem felizes, argh! Contei o papo da mulher chique, dona do casamento perfeito, pra minha superamiga Simone, que falou: "Aaaaah, seeei! Essa cerimônia aí que ela tá falando é o que a minha tia lá de Xerém chama de não dar confiança pra marido!" Morremos de rir! Chique nada, nao dar confiança pra marido é coisa de pobre. Chique mesmo é dar confiança pra marido. É o que eu acho. E se vc pretende casar comigo faça-me o favor de me dar confiança, também. Confiança é bom e eu gosto!
Acho que desabafei, in a way. Mas eu queria mesmo estar no escuro do meu quarto à meia-noite, à meia luz, sonhando. Daria tudo por meu mundo e nada mais...
a lua, dia desses
5:53 AM
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21.3.08
A origem do ovo de páscoa
sei que é manjado, mas é irresistível!
2:05 PM
Comments:
20.3.08
porque esqueci seu aniversário (pro carlucho)
Ler o romance dum jovem escritor premiado e comentadissimo
Conhecer melhor a literatura de Shakespeare
Ouvir Cole Porter, não perder o show do Linkin Park, ouvir e amar o CD da Whinehouse e ir conhecer a nova MPB carioca, que só toca na Lapa ou na Casa Rosa, a partir de 1 da manhã. Às segundas.
Não perder o show da Bethânia e da Maria Rita. Perdeu? Xiii...
Ir ao teatro ver a fofa da namorada do amigo que sempre bebeu com você e foi aos seus shows
Ir ver o figurino feito pelo amigo no Festival de Dança contemporânea, onde dançam sem música.
Comer brotos e sementes diariamente, linhaça germinada, farelo de aveia, cinco porções de frutas, cinco de vegetais, folhas verdes escuras, muitas. Orgânicos, cereais integrais e chás. Iogurte, quero meus lactobacilos vivos, por favor! A farinha boa é moída na hora, fácil, fácil no suribachi. A outra oxida: radicais livres. Estragam anos em minutos...
Malhar pelo menos uma hora por dia, seis dias por semana. Descansar um dia, senão os músculos não obedecem. Pros músculos, caprichar na proteína, mas não muito, senão dá zebra nos rins. Se for ao sol, filtro solar. Alongamento antes e depois. Esfoliação, hidratação. Drenagem facial é em direção às têmporas.
Piano todo dia, uma hora, pelo menos
Tirar uma harmona de ouvido por semana
Percussão todo dia, meia hora. Um dia pandeiro, outro, rudimentos do stick control
rotina de mantras, meditação e respiração, exercícios pra voz
ir aos blogs amigos e comentar
publicar os textos no overmundo, comentar, ler outros
compor, anotar todas as idéias e sonhos legais
manter atualizados o blog, os sites, o orkut, o myspace, o youtube, as agendas online, escrever a mala direta, responder a correspondência de fãs
passar som
fazer show
receber o público
autografar
verificar pessoalmente se ainda há cds em todas as livrarias da zona sul, repor o que faltar, receber, depositar, prestar contas, dar baixa
ligar pros pontos de venda na Lapa e centro
receber os cachês dos shows, pagar os músicos
Dentista sempre às segundas, às 14h, de bike
Ensaio sempre às segundas, de 20h em diante
Ensaio sempre às terças, de 14h em diante
Redação do jornal sempre às quartas, de 11h às 23h ou mais
Colaboração de casa duas vezes por semana: Oito notas inéditas.
Retocar as raízes, tirar o esmalte que descascou e ta horrível e colocar algo no lugar, tudo sem pagar salão de beleza
Atualizar todos os releases, urgente!, e fazer a versão em inglês dos releases
Prestigiar o amigo que sempre foi aos shows e que dá uma sessão grátis de watsu nos sábados de manhã há anos. Conhecer watsu, que é legal.
Ajudar o amigo que tem escola de percussão pra comunidade aos sábados à tarde, em Niterói
Dar canja com o amigo que toca na hora do almoço, domingo
Ver os amigos que fazem roda de samba às 20h, domingos. E a outra roda dos outros amigos, também domingo, às 18h, pra dar canja.
Descansar a figura
Não sair de circulação
Ler todas as colunas importantes, todos os dias
Não deixar de falar todo dia e estar frequentemente com a mãe, o pai, a madrasta, a irmã, a sobrinha (ver pelo menos uma x por semana). Peso permanente na consciência incluído por todas as faltas com tias e tios e suas descendências.
Tomates são obrigatórios, mas não podem ter agrotóxicos. Tomates sem agrotóxicos custam o mesmo que caviar beluga
Azeite, virgem
Ovo, fecundado
Ter moderação
Não fumar
Não usar drogas
Não usar açúcar, nem adoçante
Não beber cerveja, não comer pão branco, nem batata, nem macarrão. não comer pizza, muito pão francês com muita manteiga e muito café nunca mais
Fazer depilação e sobrancelha e manter
Comprar lembrancinhas pros filhos dos amigos, que você nunca visitou e nunca viu
Visitar os amigos que tiveram filho e mudaram de vida
Ver amigos
Rever amigos
Acordar
Dormir
Comer
Escovar os dentes
Passar fio dental
Ir ao banheiro várias vezes por dia
Tomar banho
Fazer sexo
ouvir
falar
dizer
escutar
Socializar
namorar
administrar a casa
Comprar produtos pra casa e comida
Cozinhar almoço e jantar
lavar a louça
Trabalhar
Tirar o lixo
Ganhar grana, pouca
Pagar pra trabalhar
Pagar contas
Ficar devendo
5:37 PM
Comments:
15.3.08
ai, que maçada!
detesto a parte da vida em que a gente tem que levar o dvd que quebrou numa oficina de conserto de aparelhos de audio e video. e depois buscar.
jeannie é que era mulher de verdade
4:14 AM
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